segunda-feira, 18 de julho de 2011

DESILUSÃO

Se os frutos da tua ilusão não ador o amargo da boca que muito fala.

Se teu coração anda árido e sem expectativas de germinação,
Aprende que o amor dispensa dilúvios.
Que uma gota de esperança é suficiente para germiná-lo.

Se teu corpo clama por carinho que o aqueça,
Aprende que o frio de uma noite não tira o calor do dia seguinte.
Que basta um ponto de luz para iluminar toda uma sala.

Se com tudo isso a vida continuar sem sentido,
Amarra teu anzol ao sol.
Vais pescar calor para teu corpo, doces palavras que irão renovar teu coração.

Mas precisará ter disposição para mudar o céu de tua ilusão
Na velocidade dos ponteiros do relógio.
Moacir Willmondes

domingo, 10 de julho de 2011

Ler Devia Ser Proibido




A pensar fundo na questão, eu diria que ler devia ser proibido.

Afinal de contas, ler faz muito mal às pessoas: acorda os homens para realidades impossíveis, tornando-os incapazes de suportar o mundo insosso e ordinário em que vivem. A leitura induz à loucura, desloca o homem do humilde lugar que lhe fora destinado no corpo social. Não me deixam mentir os exemplos de Don Quixote e Madame Bovary. O primeiro, coitado, de tanto ler aventuras de cavalheiros que jamais existiram meteu-se pelo mundo afora, a crer-se capaz de reformar o mundo, quilha de ossos que mal sustinha a si e ao pobre Rocinante. Quanto à pobre Emma Bovary, tomou-se esposa inútil para fofocas e bordados, perdendo-se em delírios sobre bailes e amores cortesãos.

Ler realmente não faz bem. A criança que lê pode se tornar um adulto perigoso, inconformado com os problemas do mundo, induzido a crer que tudo pode ser de outra forma. Afinal de contas, a leitura desenvolve um poder incontrolável. Liberta o homem excessivamente. Sem a leitura, ele morreria feliz, ignorante dos grilhões que o encerram. Sem a leitura, ainda, estaria mais afeito à realidade quotidiana, se dedicaria ao trabalho com afinco, sem procurar enriquecê-la com cabriolas da imaginação.

Sem ler, o homem jamais saberia a extensão do prazer. Não experimentaria nunca o sumo Bem de Aristóteles: o conhecer. Mas para que conhecer se, na maior parte dos casos, o que necessita é apenas executar ordens? Se o que deve, enfim, é fazer o que dele esperam e nada mais?

Ler pode provocar o inesperado. Pode fazer com que o homem crie atalhos para caminhos que devem, necessariamente, ser longos. Ler pode gerar a invenção. Pode estimular a imaginação de forma a levar o ser humano além do que lhe é devido.

Além disso, os livros estimulam o sonho, a imaginação, a fantasia. Nos transportam a paraísos misteriosos, nos fazem enxergar unicórnios azuis e palácios de cristal. Nos fazem acreditar que a vida é mais do que um punhado de pó em movimento. Que há algo a descobrir. Há horizontes para além das montanhas, há estrelas por trás das nuvens. Estrelas jamais percebidas. É preciso desconfiar desse pendor para o absurdo que nos impede de aceitar nossas realidades cruas.

Não, não dêem mais livros às escolas. Pais, não leiam para os seus filhos, pode levá-los a desenvolver esse gosto pela aventura e pela descoberta que fez do homem um animal diferente. Antes estivesse ainda a passear de quatro patas, sem noção de progresso e civilização, mas tampouco sem conhecer guerras, destruição, violência. Professores, não contem histórias, pode estimular uma curiosidade indesejável em seres que a vida destinou para a repetição e para o trabalho duro.

Ler pode ser um problema, pode gerar seres humanos conscientes demais dos seus direitos políticos em um mundo administrado, onde ser livre não passa de uma ficção sem nenhuma verossimilhança. Seria impossível controlar e organizar a sociedade se todos os seres humanos soubessem o que desejam. Se todos se pusessem a articular bem suas demandas, a fincar sua posição no mundo, a fazer dos discursos os instrumentos de conquista de sua liberdade.

O mundo já vai por um bom caminho. Cada vez mais as pessoas lêem por razões utilitárias: para compreender formulários, contratos, bulas de remédio, projetos, manuais etc. Observem as filas, um dos pequenos cancros da civilização contemporânea. Bastaria um livro para que todos se vissem magicamente transportados para outras dimensões, menos incômodas. E esse o tapete mágico, o pó de pirlimpimpim, a máquina do tempo. Para o homem que lê, não há fronteiras, não há cortes, prisões tampouco. O que é mais subversivo do que a leitura?

É preciso compreender que ler para se enriquecer culturalmente ou para se divertir deve ser um privilégio concedido apenas a alguns, jamais àqueles que desenvolvem trabalhos práticos ou manuais. Seja em filas, em metrôs, ou no silêncio da alcova... Ler deve ser coisa rara, não para qualquer um.

Afinal de contas, a leitura é um poder, e o poder é para poucos.

Para obedecer não é preciso enxergar, o silêncio é a linguagem da submissão. Para executar ordens, a palavra é inútil.

Além disso, a leitura promove a comunicação de dores, alegrias, tantos outros sentimentos... A leitura é obscena. Expõe o íntimo, torna coletivo o individual e público, o secreto, o próprio. A leitura ameaça os indivíduos, porque os faz identificar sua história a outras histórias. Torna-os capazes de compreender e aceitar o mundo do Outro. Sim, a leitura devia ser proibida.

Ler pode tornar o homem perigosamente humano.

Guiomar de Grammon, In: PRADO, J. & CONDINI, P. (Orgs.). A formação do leitor: pontos de vista.
Rio de Janeiro - Argus, 1999. pgs.71-73.

sábado, 9 de julho de 2011

Despedida

DESPEDIDA

Existem duas dores de amor:
A primeira é quando a relação termina e a gente,
seguindo amando, tem que se acostumar com a ausência do outro,
com a sensação de perda, de rejeição e com a falta de perspectiva,
já que ainda estamos tão embrulhados na dor
que não conseguimos ver luz no fim do túnel.

A segunda dor é quando começamos a vislumbrar a luz no fim do túnel.

A mais dilacerante é a dor física da falta de beijos e abraços,
a dor de virar desimportante para o ser amado.
Mas, quando esta dor passa, começamos um outro ritual de despedida:
a dor de abandonar o amor que sentíamos.
A dor de esvaziar o coração, de remover a saudade, de ficar livre,
sem sentimento especial por aquela pessoa. Dói também…

Na verdade, ficamos apegados ao amor tanto quanto à pessoa que o gerou.
Muitas pessoas reclamam por não conseguir se desprender de alguém.
É que, sem se darem conta, não querem se desprender.
Aquele amor, mesmo não retribuído, tornou-se um souvenir,
lembrança de uma época bonita que foi vivida…
Passou a ser um bem de valor inestimável, é uma sensação à qual
a gente se apega. Faz parte de nós.
Queremos, logicamente, voltar a ser alegres e disponíveis,
mas para isso é preciso abrir mão de algo que nos foi caro por muito tempo,
que de certa maneira entranhou-se na gente,
e que só com muito esforço é possível alforriar.

É uma dor mais amena, quase imperceptível.
Talvez, por isso, costuma durar mais do que a ‘dor-de-cotovelo’
propriamente dita. É uma dor que nos confunde.
Parece ser aquela mesma dor primeira, mas já é outra. A pessoa que nos
deixou já não nos interessa mais, mas interessa o amor que sentíamos por
ela, aquele amor que nos justificava como seres humanos,
que nos colocava dentro das estatísticas: “Eu amo, logo existo”.

Despedir-se de um amor é despedir-se de si mesmo.
É o arremate de uma história que terminou,
externamente, sem nossa concordância,
mas que precisa também sair de dentro da gente…
E só então a gente poderá amar, de novo.
by Martha Medeiros

Carta de Desamor

Uma Carta de Desamor - by Stella Florence.

Stella Florence escreve um pedido de desculpas para quando o amor dá errado. A crônica desta semana é para todas as mulheres que amaram demais, mas foram amadas de menos.

"Me desculpe por ter dito sim. Me desculpe por ter gemido. Me desculpe por ter gozado. Me desculpe por eu ter voz. Me desculpe por ter tomado a iniciativa. Me desculpe por ter escrito. Me desculpe por ter ligado. Me desculpe por eu ter voz.
Me desculpe pelos machucados que sua ex deixou em você. Me desculpe por eu ter vindo logo atrás dela. Me desculpe por querer entender seu silêncio. Me desculpe por eu ter voz.
Me desculpe por eu não ter usado máscara. Me desculpe por desejar alguma intensidade. Me desculpe por desejar. Me desculpe pelo que foi ruim. Me desculpe pelo que foi bom. Me desculpe pelo atrevimento de supor que eu merecia o que de bom aconteceu. Me desculpe por eu ter voz. Me desculpe por eu ter tirado a roupa. Me desculpe por eu ter mostrado meu corpo. Me desculpe por eu ter gostado de mostrar meu corpo. Me desculpe por eu ter voz.
Me desculpe por eu ter escrito coisas lindas para você. Me desculpe por você não ter entendido um terço do que eu escrevi. Me desculpe por você ter me achado ousada demais. Me desculpe por eu ter voz.
Me desculpe por, em algum momento, eu ter te amado. Me desculpe por, em algum momento, eu ter te achado bonito. Me desculpe por, em algum momento, eu ter me achado bonita. Me desculpe por eu ter voz.
Me desculpe pelos seus erros de português. Me desculpe pelos erros de português da sua nova namorada. Me desculpe pela sua nova namorada achar margarida uma flor pobre. Me desculpe por eu ter voz.
Me desculpe por você torcer para o Palmeiras. Me desculpe se uma barata entrar na sua cozinha algum dia. Me desculpe pelos 130 km de congestionamento em São Paulo agora. Me desculpe por eu ter voz.
Mas, sobretudo, me desculpe por pedir essas ridículas, inúteis e dolorosas desculpas. Que, naturalmente, não são para você, afinal, porcos não reconhecem pérolas.”

posted by Rosie Rodrigues

terça-feira, 5 de julho de 2011

Mulherão

 

 

                                  Mulherão

  1. Peça para um homem descrever um mulherão. Ele  imediatamente vai falar   no tamanho dos seios, na medida da cintura, no volume dos lábios, nas pernas, bunda e cor dos olhos...
  2. Ou vai dizer que mulherão tem que ser loira, 1.80m, siliconada e com um lindo sorriso.
  3. Mulherões, dentro desse conceito, não existem muitas: Vera Fisher, Malu Mader, Adriane Galisteu, Letícia Spiller, Lumas  e Brunas.
  4. Agora, pergunte para uma mulher o que ela considera um mulherão você vai descobrir que tem uma em cada esquina...
  5. Mulherão é aquela que pega dois ônibus para ir ao trabalho e mais dois para voltar e, quando chega em casa, encontra um tanque lotado de roupa e uma família morta de fome.
  6. Mulherão é aquela que vai de madrugada para a fila garantir matrícula na escola é aquela aposentada que passa horas em pé na fila do banco para buscar uma pensão de R$ 200,00.
  7. Mulherão é a empresária que administra dezenas de funcionários de segunda a sexta e uma família todos os dias da semana.
  8. Mulherão é quem volta do supermercado segurando várias sacolas depois de ter pesquisado preços e feito malabarismo com o orçamento.
  9. Mulherão é aquela que se depila, que passa cremes, que se maquia, que  faz dietas, que malha, que usa salto alto, meia-calça, ajeita o cabelo e se  perfuma, mesmo sem nenhum convite para ser capa de revista.
  10. Mulherão é quem leva os filhos na escola, busca os filhos na escola,   leva os filhos na natação, busca os filhos na natação, leva os filhos para a  cama, conta histórias, dá um beijo e apaga a luz.
  11. Mulherão é aquela mãe de adolescente que não dorme enquanto ele não chega. É quem, de manhã bem cedo, já está de pé, esquentando o leite.
  12. Mulherão é quem leciona em troca de um salário mínimo, é quem faz  serviços voluntários, é quem colhe uva, é quem opera pacientes é quem lava  a roupa para fora, é quem bota a mesa, cozinha o feijão e, à tarde, trabalha atrás de balcão.
  13. Mulherão é quem cria os filhos sozinha, é quem dá expediente de 8 horas e enfrenta menopausa, TPM e menstruação.
  14. Mulherão é quem arruma os armários, coloca flores nos vasos, fecha a cortina para o sol não desbotar os móveis, mantém a geladeira cheia e os cinzeiros vazios.
  15. Mulherão é quem sabe onde cada coisa está, o que cada filho sente e qual o melhor remédio para azia.
  16. Lumas, Brunas, Carlas, Luanas e Sheilas: mulheres nota 10 no quesito linda  de morrer, mas mulherão mesmo é quem mata um leão por dia!

         by  Martha Medeiros

domingo, 3 de julho de 2011

Mulher


Mulher,
Eu gosto de ser mulher tanto quanto eu gosto de dirigir meu carro e gosto de dirigir meu carro tanto quanto eu gosto de dirigir minha vida, e gosto de dirigir minha vida tanto quanto eu gosto de ser dirigida às vezes. Gosto de ser dirigida às vezes tanto quanto eu gosto às vezes de fazer nada.

Eu gosto de fazer nada tanto quanto eu gosto de sexo. Gosto de sexo tanto quanto eu gosto de viajar, e gosto de viajar tanto quanto eu gosto da minha casa. Gosto da minha casa tanto quanto as partes de mim que ainda não conheço.

Eu gosto dos meus amigos tanto quanto eu gosto do outono, dos Beatles, de livros, de Londres e dos filmes do Woody Allen, e gosto de cinema tanto quanto eu gosto de dançar, de me sustentar e de seduzir, e gosto menos de seduzir do que de ser seduzida, uma paixão é sempre vulcânica e não há nada que eu goste mais.

Eu gosto de ser mulher tanto quanto eu gosto de trabalhar, de me questionar, de tomar um drinque, de chorar por qualquer coisa, de rir por tudo, de ser meio agressiva e meio delicada e meio bonita e meio descuidada, gosto de ser mulher tanto quanto qualquer outra mulher gostaria, se gostar de si mesma até quando não gosta nada.


Martha Medeiros.

10 maneiras de encontrar uma mulher ideal






Está difícil encontrar a mulher ideal? Você a cada semana está em uma balada diferente e nada de novidade aparece? Você deve estar procurando da maneira errada.

Para encontrar a mulher ideal basta compará-la a um automóvel.

Confira:

1) Verifique o design. Deve ter bom porta-malas. Embora alguns prefiram, evite o modelo 'perua'.
2) Verifique o ano...
3) Observe o estado de conservação da lataria.
4) É boa de curvas?
5) É macia?
6) Possui 'air bag' duplo frontal de bom volume?
7) É econômica?
8) Faz pouco barulho?
9) Esquenta rápido?
10) Leve-a para um 'test drive'. Se a mulher passou em todos esses testes, lembre-se: por precaução, faça um 'leasing', porque, nesse meio tempo, pode surgir um modelo melhor e mais novo.

Feito estas observações, garanto que você achará a mulher ideal, ou no na pior das hipóteses um bom carro...

sábado, 2 de julho de 2011

A primeira vez!

A primeira vez
Foi quase dor e muito desejo,
Quase céu no momento beijo
Tanto encantamento
Nenhum tormento.

A primeira vez
Mel, flor, vento, chama: Sensitivo guia
Compondo a vida em poesia.
Fazendo da junção motivos para voar
Flutuar ... E as nuvens tocar.

A primeira vez
Foi descoberta, “Amor-perfeito” em flor
Que no sereno do outro, desabrocha em fulgor!
Sentidos suados e fatigados,
Carnes esfoladas, nos corpos roçados.
Marly Bastos
Para a amiga Rosie que está começando seu blog com muita dificuldade e meio sem rumo. A primeira vez é sempre difícil, mas com o tempo as coisas ficam mais confortáveis. A gente se expande, adquire intimidade com as configurações e tudo fica perfeito, com encaixe de dar gosto. Felicidades querida amiga.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Posso Errar?

Pouco tempo fui obrigada a lavar meus cabelos com o xampu “errado”. Foi num hotel, onde cheguei pouco antes de fazer uma palestra e, depois de ver que tinha deixado meu xampu em casa, descobri que não havia farmácia nem shopping num raio de 10 quilômetros. A única opção era usar o dois-em-um (xampu com efeito condicionador) do kit do hotel. Opção? Maneira de dizer. Meus cabelos, super oleosos, grudam só de ouvir a palavra “condicionador”. Mas fui em frente. Apliquei o produto cautelosamente, enxaguei, fiz a escova de praxe e… surpresa! Os cabelos ficaram soltos e brilhantes — tudo aquilo que meus nove vidros de xampu “certo” que deixei em casa costumam prometer para nem sempre cumprir. Foi aí que me dei conta do quanto a gente se esforça para fazer a coisa certa, comprar o produto certo, usar a roupa certa, dizer a coisa certa — e a pergunta que não quer calar é: certa pra quem? Ou: certa por quê?
O homem certo, por exemplo: existe ficção maior do que essa? Minha amiga se casou com um exemplar da espécie depois de namorá-lo sete anos. Levou um mês para descobrir que estava com o marido errado. Ele foi “certo” até colocar a aliança. O que faz surgir outra pergunta: certo até quando? Porque o certo de hoje pode se transformar no equívoco monumental de amanhã. Ou o contrário: existem homens que chegam com aquele jeito de “nada a ver”, vão ficando e, quando você se assusta, está casada — e feliz
— com um deles.
E as roupas? Quantos sábados você já passou num shopping procurando o vestido certo e os sapatos certos para aquele casamento chiquérrimo e, na hora de sair para a festa, você se olha no espelho e tem a sensação de que está tudo errado? As vendedoras juraram que era a escolha perfeita, mas talvez você se sentisse melhor com uma dose menor de perfeição. Eu mesma já fui para várias festas me sentindo fantasiada. Estava com a roupa “certa”, mas o que eu queria mesmo era ter ficado mais parecida comigo mesma, nem que fosse para “errar”.
Outro dia fui dar uma bronca numa amiga que insiste em fumar, apesar dos problemas de saúde, e ela me respondeu: “Eu sei que está errado, mas a gente tem que fazer alguma coisa errada na vida, senão fica tudo muito sem graça. O que eu queria mesmo era trair meu marido, mas isso eu não tenho coragem. Então eu fumo”. Sem entrar no mérito da questão — da traição ou do cigarro —, concordo que viver é, eventualmente, poder escorregar ou sair do tom. O mundo está cheio de regras, que vão desde nosso guarda-roupa, passando por cosméticos e dietas, até o que vamos dizer na entrevista de emprego, o vinho que devemos pedir no restaurante, o desempenho sexual que nos torna parceiros interessantes, o restaurante que está na moda, o celular que dá status, a idade que devemos aparentar.
Obedecer, ou acertar, sempre é fazer um pacto com o óbvio, renunciar ao inesperado. O filósofo Mario Sergio Cortella conta que muitas pessoas se surpreendem quando constatam que ele não sabe dirigir e tem sempre alguém que pergunta: “Como assim?! Você não dirige?!”. Com toda a calma, ele responde: “Não, eu não dirijo. Também não boto ovo, não fabrico rádios — tem um punhado de coisas que eu não faço”. Não temos que fazer tudo que esperam que a gente faça nem acertar sempre no que fazemos. Como diz Sofia, agente de viagens que adora questionar regras: “Não sou obrigada a gostar de comida japonesa, nem a ter manequim 38 e, muito menos, a achar normal uma vida sem carboidratos”. O certo ou o “certo” pode até ser bom. Mas às vezes merecemos aposentar régua e compasso.
Texto da jornalista Leila Ferreira.